Crianças em nossas mãos
Escrito por Remy   
Qui, 02 de Dezembro de 2010 23:03

CRIANÇAS EM NOSSAS MÃOS!

O que está acontecendo com a instituição familiar em nosso País? Como estão sendo criadas nossas crianças e jovens pelos pais, aqueles que os colocaram no mundo e são responsáveis por suas vidas e por fazê-los felizes?
São esses mesmos pais ou mães, que deveriam lhes dar amor e proteção e, ao contrário, as fazem passar por momentos e situações terríveis, cruéis e desumanas. Momentos que deixam feridas, marcas indeléveis no corpo e na alma. Feridas que podem ser parcialmente suportadas, mas que jamais serão esquecidas. Cicatrizes que jamais se apagarão!
Nas casas lares de Missões Nacionais recebemos, com freqüência, crianças encaminhadas pelo Conselho Tutelar e passamos a conhecer histórias tristes de meninos e meninas que trazem em seu coração as marcas da dor e os dramas das experiências vivenciadas em seus lares de origem.
Lar? Família? Será que podemos chamar de lar ou família aqueles que os submetem a maus-tratos, abusos e violência? Será normal chamar de pai um ser que estupra e violenta a própria filha desde os quatro anos de idade? Ou o esposo que degola a própria esposa na presença da filha e deixa que ela veja a mãe agonizando até a morte? Ou ainda, seria mãe aquela que obriga a filha de nove anos a manter relações sexuais em troca de bebida? Não seriam eles os responsáveis por seu desenvolvimento pleno, por sua saúde física e emocional. Não caberia a eles tornar seus filhos cidadãos do bem e pessoas felizes? Não teriam eles a responsabilidade de formar cidadãos íntegros, estruturados e espiritualmente fortes?
Infelizmente, vivenciamos uma crise de valores morais e éticos de famílias, de pessoas, que transtornam e destroem a vida de crianças e adolescentes, tirando-lhes as oportunidades de uma vida normal a que têm direito e para a qual foram geradas.

Algumas histórias nos chocam e nos colocam frente à dura realidade pela que passaram essas crianças:
A criança X, aos três anos de idade foi encontrada na rua com mendigos. Constatou-se que havia sido abusada. A criança fugiu e foi encontrada na rua chorando. Tinha marcas de queimaduras de cigarro no rosto. Foi levada para o Juizado da Infância e do Adolescente e encaminhada ao Lar Batista. Hoje tem 15 anos e sonha ser psicóloga.

A criança Y, de nove anos foi encaminhada pelo Conselho Tutelar ao Lar Batista no dia 7 de março. Foi vítima de abuso sexual pelo próprio pai, desde os quatro anos de idade. Apresenta queimaduras em diversas partes do corpo. Vivia nas ruas e foi estuprada por dois meninos: de 11 a 14 anos.

A criança X, também de nove anos, foi encaminhada recentemente ao Lar Batista, também vítima de maus tratos. A mãe a obrigava a manter relações sexuais em troca de bebida.
Duas irmãs, de oito e 11 anos, viram o padrasto matando a mãe a facadas. As irmãs maiores denunciaram e o padastro foi preso. Houve denuncia e as crianças vieram morar no Lar Batista, trazidas pelo Conselho Tutelar.
É esse o nosso desafio: receber e cuidar dessas crianças.
É grande a nossa responsabilidade quando recebemos nos lares batistas de Missões Nacionais as crianças e adolescentes que nos são encaminhadas. E o nosso desafio tem início no momento em que ingressam no lar.
Temos o compromisso de criar um ambiente propício para que cresçam saudáveis física, emocional  e espiritualmente. Temos o dever de proporcionar as oportunidades para que se desenvolvam integralmente e sejam preparadas para a vida futura, para que sejam cidadãs e cidadãos do bem. Temos a responsabilidade de evitar que no futuro repitam as atrocidades de que foram vítimas.
Com alegria temos vivenciado  os resultados do trabalho que vem sendo desenvolvido. Temos recebido o grande apoio do povo batista brasileiro e de nossas igrejas. O próprio testemunho das crianças nos dá a certeza de que estamos no caminho certo, que o nosso empenho não tem sido em vão e que estamos conseguindo suprir as carências e lacunas deixadas pelas famílias que lhes causaram o mal.
Nos lares temos identificados talento, revelados no conhecimento que assimilam e externam em versos e em prosas.
São histórias lindas que podemos confirmar no livro de poesias recentemente editado -“Esperanças entrelinhas” – que contém poesias e histórias das vidas que nos foram entregues para cuidar e proteger.
Nas linhas do livro exemplos da alegria de viverem no lar, de ali terem recebido o amor, o cuidado e a atenção. De viverem em um lar feliz, em que recebem além do apoio físico e emocional, o maior alimento: a palavra de Deus, a certeza da salvação.
Outras histórias nos chegam por intermédio de cartinhas que recebemos dessas crianças e que comovem nossos corações:
“Hoje eu sou muito feliz por tudo o que tenho. Sou grata a Deus por ter vindo para o Lar Batista. Aqui tenho recebido todo o carinho e sou influenciada a fazer coisas boas. O meu sonho é fazer uma faculdade e ter uma boa profissão”. Marivânia, 15 anos.
“Eu agradeço a Deus por estar aqui, porque aqui recebo de tudo, carinho, amor, lazer e educação. Hoje sou servo de Deus. Tenho um sonho que é fazer o vestibular para Educação Física. E graças ao Lar Batista eu tenho a oportunidade de sonhar.” Pedro, 16 anos.

“No lar aprendi o meu primeiro versículo João 3:16 e aceitei a Jesus como meu salvador. Desde então senti a diferença que Jesus estava fazendo na minha vida. Vou fazer faculdade para medicina veterinária que é o meu grande sonho. Morando aqui eu só tenho a agradecer a Deus pela oportunidade que tive de morar aqui, de conhecer a Deus e ter tantas oportunidades que eu não teria se tivesse ficado em casa.” Dili, 17 anos.
“Gosto do Lar Batista, as missionárias sempre estão tentando fazer o melhor para nós. Elas procuram nos educar e nos preparar espiritualmente.” Josileide, 16 anos.
“Aqui sou tratada com todo o carinho e amor. Aprendi mais sobre a palavra de Deus e então me decidi a aceitar Jesus como meu único e suficiente salvador. Eu quero terminar meus estudos e fazer a faculdade de direito e ser uma advogada.” Cristiane, 15 anos
“Durante esses anos que estou aqui tenho tudo que preciso e que eu não teria em outros lugares. Aqui aprendi muito e tenho por sonho e objetivo fazer Faculdade de Direito e Psicologia. Débora, 16 anos.
São essas histórias que nos motivam e nos fazem lutar por um futuro melhor para essas crianças. Não podemos deixar que esses sonhos pereçam. Somos responsáveis por fazê-los acontecer.
Assim estaremos enviando, para a sociedade, jovens sadios, futuros cidadãos do bem. Jovens que se tornarão adultos e serão agentes de transformação de outras vidas. Contribuirão com suas vidas para que outros jovens não pereçam em trevas. Influenciarão com seu exemplo as gerações futuras. E evitarão que outras crianças sejam vítimas dos atos abusivos que marcaram a mais linda fase da vida humana: a infância.
Certamente deixaremos de ouvir apelos como o de Amaildo, de 11 anos e que cortam nosso coração: Tia Alice, quero que a senhora tire o meu pai da prisão....

Alice Carolina Barbosa Cirino
Gerente Executiva de Ação Social

Última atualização em Ter, 07 de Dezembro de 2010 11:48
 
 
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