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Escrito por Administrator   
Ter, 29 de Junho de 2010 16:59

A Copa e as eleições

VALDEMAR FIGUEREDO FILHO - Pastor da IB Central em Niterói (RJ)

A Copa terminou e o período eleitoral começou. O esporte oferece-nos exemplos para pensarmos na dinâmica da vida. Sei que a aproximação não é original, muitos articulistas com diferentes intenções já relacionaram os temas em questão. Quero aproveitar a ideia da pátria de chuteiras para tentar elaborar uma pedagogia política entre os batistas brasileiros.

Quando tratamos da seleção brasileira de futebol nos referimos regularmente à questão do comando. Por mais que o povo seja iniciado e se diga entendido, quem define o comando da equipe não é a voz popular, sequer uma junta representativa. Os jornalistas têm um poder de pressão muito grande (menor do que o poder dos proprietários dos meios de comunicação), mas não escolhem o técnico do time. Em poucas linhas, a democracia é um sistema em que a suposição básica é a de que a vontade do povo deve definir o Governo. O povo é chamado a votar para definir o que julga mais razoável em termos de políticos e políticas. O estranho entre nós brasileiros é que acompanhamos muito mais o trabalho do técnico, que não escolhemos, do que dos políticos, que elegemos.

A Copa do Mundo acontece a cada quatro anos. As eleições para presidência da república, governos dos estados e para o parlamento federal também. É impressionante como o país pára enquanto a bola rola. Daremos nestas eleições o mínimo de atenção para ouvir e comparar? Na ciência política há uma teoria chamada de elitista, que diz em linhas gerais o seguinte: Em toda sociedade uma minoria organizada (elite) domina uma maioria desarticulada (não-elite). Não estou pregando aqui o plano megalomaníaco de Edir Macedo e sua turma de os evangélicos elaborarem um plano de poder, mas tão somente que tenhamos uma atuação responsável enquanto cidadãos e grupo religioso (batistas).

Os atletas que foram selecionados para vestir a camisa do Brasil na Copa atuaram e foram devidamente avaliados segundo os nossos critérios. Mesmo com a frustração nacional diante do resultado obtido pela equipe, alguns atletas agradaram. Na formação do grupo que vai representar o Brasil na próxima Copa, quem você acha que merece continuar e quem deve ser cortado da lista? Pois é, representação política é exatamente isso. Você escolhe. Você acompanha o desempenho. Você estabelece critérios de bom desempenho. E quando chamado a votar você elege um bom representante.

No futebol é um tal de jogador erguer as mãos para o alto, fechar os olhos e proferir palavras de ordem... Nada contra. Os símbolos sagrados são usados dentro de campo e nós, que somos evangélicos, conseguimos com certa facilidade identificar os de casa. No entanto, imagine um técnico evangélico que usasse como critério de seleção o pertencimento religioso? No parlamento não é muito diferente. Pelo discurso descobrimos logo os políticos evangélicos. Eles também acionam a simbologia que nos é típica. Ora, isso não os credencia necessariamente para serem os nossos representantes. O critério para o voto na arena política precisa ir além da mera simpatia ou identidade religiosa. Avalie o desempenho político dos que se oferecem para representar o segmento evangélico. Estabeleça critérios de competência e de correção pessoal para selecionar os seus representantes.

O futebol é um esporte que move milhões de apaixonados. Para a grande massa, futebol é diversão e paixão. Por isso mesmo, o futebol é um negócio que move milhões de reais. Para alguns, o futebol é um mercado rentável. As campanhas de marketing milionárias e os contratos financeiros de cifras astronômicas dão conta de que o mundo da bola foi reduzido ao mundo dos business. A política não pode ser reduzida a disputas de grupos (partidos) uniformizados que se alternam no pódio. Sabemos que nos bastidores e nos corredores não são poucos os que fazem da política um balcão de negócios. Na versão evangélica, enriquecem para a glória de Deus! A representação política evangélica tem uma relação umbilical com as concessões de radiodifusão na Câmara Federal. Logo, boa parte das emissoras de rádios e televisão que informam, entretém e inspiram o povo evangélico no Brasil foram adquiridas como moeda de troca política.

Meus irmãos, corar de vergonha já é alguma coisa, mas é pouco!.

Última atualização em Ter, 31 de Agosto de 2010 14:26
 
 
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