Discussão sobre o voto nulo PDF  | Imprimir |  E-mail
Escrito por Administrator   
Ter, 29 de Junho de 2010 17:21

Cap. 19 de Religião e Política, Sim; Igreja e Estado, Não (trecho)

Paul Freston, Editora Ultimato

 

 

Discussão sobre o voto nulo

Pergunta colocada a Paul Freston: 

Depois da crise política nacional gerada pela esquerda, supomos que a bandeira da ética seja dos evangélicos. Mas uma das reações à crise listadas é a seguinte: “Não existe ninguém”. Assim, uma opção que tem atraído muitos evangélicos é o voto nulo, como reação contra toda essa situação, ... o voto nulo seria uma ferramenta, um instrumento de reação legítimo?

Resposta

Não é necessário ser (ou se achar) incorruptível para erguer a bandeira da ética. Aliás, talvez esse seja um dos piores erros. O que é necessário para se erguer a bandeira da ética é a humildade, o auto-exame, a capacidade de ver a corruptibilidade em si mesmo, de perceber a necessidade de instituições, organismos da sociedade capazes de colocar limites, ou estimular ações. Nossa preocupação deve ser com o meio. A corrupção floresce mais em certos ambientes e menos em outros. Portanto, a solução é criarmos os ambientes em que a corrupção floresça menos. Não estamos falando de transformar a natureza humana, nem de esperar que todas as pessoas se tornem cristãs para começarmos a encontrar as soluções para o problema. É possível reduzir o nível de corrupção, mesmo com a qualidade humana que temos.

O voto nulo é uma medida justificável apenas em casos extremos, por exemplo, no caso de um segundo turno entre Hitler e Stalin. Em outras circunstâncias, ele não resolve nada se é simplesmente um ato individual de protesto, porque o candidato vencedor é eleito com 50% mais um entre o universo votante, isto é, seja com 56 milhões ou com 2 milhões de votos. Anular o voto é uma medida que exigiria uma coordenação para alcançar estes 50% mais um dos votos. Ainda assim, se o objetivo é provocar uma segunda eleição com outros candidatos, por que não colocar esses outros candidatos já na primeira eleição? É difícil imaginar um cenário no qual o voto nulo resolva o problema. Trata-se de um protesto ineficaz. O voto nulo só seria uma boa opção em situação tão extrema que é difícil até imaginarmos (e ainda não chegamos, nem de longe, a essa situação). Tanto porque provavelmente não haverá mudanças no resultado da eleição, como porque a nossa responsabilidade cidadã não se reduz a simplesmente votar — seja o nosso voto nulo ou não.

Última atualização em Qui, 08 de Julho de 2010 14:48
 
 
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