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Escrito por Administrator   
Ter, 29 de Junho de 2010 17:19

Na eleição, você é quem manda

MARK GREENWOOD - Diretor do Departamento de Ação Social da CBB

Somente os que fazem o mal devem ter medo dos governantes, e não os que fazem o bem” - Romanos 13.3.

Escrevendo em uma época na qual os Governos costumavam ser opressores, o apóstolo Paulo nos surpreende com sua atitude de submissão às autoridades humanas. Afirmando que somente os maus têm o que temer diante do Governo, ele incentiva o crente a ter uma atitude de cooperação com os que estão em posição de poder. Na sua primeira carta a Timóteo, o apóstolo pede aos cristãos que orem pelos reis e por todos os que têm autoridade, de forma que os mesmos possam viver de forma calma e pacífica (1 Timóteo 2.2).

Hoje, no Brasil, vivemos em um sistema político chamado democracia. Essa palavra vem de duas palavras gregas - demos (povo) e kratos (força) - e significa governo pelo povo. Seguindo a lógica de Paulo em Romanos 13.1, a autoridade instituída por Deus hoje no Brasil, com a qual devemos cooperar e pela qual devemos orar, é o povo. Muitas vezes este fato nos escapa no desenrolar dos fatos políticos após as eleições, na maneira como os eleitos às vezes se comportam e na análise da conjuntura política brasileira realizada em certos ambientes.

A primeira pergunta que nós, povo, devemos fazer diante desse fato é: “Estamos exercendo essa autoridade, conferida por Deus, de uma maneira responsável?”. Sabemos que entre os períodos eleitorais existem maneiras de exercer esta autoridade através da participação em conselhos de direitos e políticas públicas (municipais, estaduais e nacionais), orçamentos participativos, audiências públicas, manifestações, entre muitas outras (algumas das quais comentadas por Geter Borges em artigo publicado nesta mesma edição de OJB). Reconhecemos também que, em uma democracia representativa (como a que existe no Brasil), os poderes destas ações são muito limitados, deixando os representantes eleitos essencialmente à vontade para fazer aquilo que eles bem quiserem (com raras exceções, a modo do impeachment de Fernando Collor). Porém, na época das eleições, todos temos nas mãos um grande privilégio, o de admitir ou demitir os servidores públicos que governam o país. Entretanto, devemos fazer isso com responsabilidade, idoneidade e seriedade.

Você é o patrão - Responsabilidade diante de Deus e dos seres humanos

Nesse contexto, você é o patrão e os candidatos estão procurando um emprego. Quando alguém procura um emprego precisa apresentar um bom currículo, experiência relevante, aptidão, honestidade e compromisso com os valores que o empregador considera fundamentais. A pessoa que procura emprego necessita ser qualificada para cumprir os atributos do cargo que deseja assumir. Quem emprega deve examinar a fundo estas questões na vida dos candidatos ao emprego. Além disso, necessita de coragem para dizer não quando percebe algo errado e tem a obrigação de distanciar-se de qualquer indício de suborno ou propina por parte dos candidatos. Para certificar-se da escolha correta, quem emprega debate suas ideias com seus colegas na mesa de diretores. A escolha traz responsabilidade e carrega grandes consequências, quer para o bem, quer para o mal.

Para entendermos mais a nossa responsabilidade como autoridade popular na democracia, olhemos para a época de Samuel e para a de Neemias, quando Deus concedeu ao povo os direitos de escolha e reivindicação. Em 1 Samuel 8 Deus age democraticamente, deixando o povo escolher um rei (versículo 22). Deus fez isto com tristeza, pois preferia que o povo continuasse tendo ele como autoridade máxima (versos 7 e 8). Ao mesmo tempo Deus explicita as consequências da escolha: O rei será um opressor do povo (versos 11 a 17) e Deus não ouvirá as suas futuras queixas sobre as ações de tal rei (verso 18). Por outro lado, em Neemias 5 o povo cria coragem para chegar às autoridades (verso 1) e reclamar das injustiças por elas praticadas (versos 2 a 5). Por ser um governador que teme a Deus (verso 15), Neemias muda o caráter do seu mandato (verso 7), passando a promover a causa dos pobres com todo o aparato estatal a seu dispor (versos 8 a 11).

Sem dúvida alguma, as eleições são a nossa oportunidade de assumir a nossa responsabilidade diante de Deus e da sociedade. É o momento de procurarmos reivindicar justiça para o povo. Precisamos empregar pessoas que trabalharão para o bem do país e do povo.

Considerando a eleição como um processo de seleção para um emprego em cargo público, refletiremos também sobre o orçamento da empresa e o salário dos empregados. No âmbito do dinheiro público, isto nos leva a pensar nos impostos. É comum denominarmos os impostos como dinheiro do Governo. Entretanto, não são. Diferentemente do que acontece em formas de governo como império, monarquia ou ditadura, na democracia o dinheiro pago através de impostos é do povo. Os cofres públicos contêm o dinheiro dado como contribuição pelo povo para o bem do próprio povo. Se alguém estiver roubando esse dinheiro, ou fazendo mau uso dele, essa pessoa merece ser demitida.

Dê ao povo o que é do povo

Há quem entenda que seja lícito reter impostos como protesto contra a corrupção. Esta é uma posição com a qual tenho uma certa simpatia. Porém, Paulo recomenda que crentes paguem os impostos como uma questão de consciência (Romanos 13.5-7), enquanto Jesus recomenda pagar a César aquilo que é de César e a Deus aquilo que é de Deus (Mateus 22.21). Embora esta frase talvez seja a mais enigmática das palavras do Senhor, com sentido muito debatido, mesmo assim ela veda qualquer desculpa para não pagar os impostos hoje, pois dificilmente os Governos brasileiros conseguirão ultrapassar o Império Romano em termos de opressão e decadência. E ainda mais, não obstante os muitos desusos do dinheiro público nos dias de hoje, bilhões de reais são empregados em benefício do povo. Traduzindo as palavras de Jesus ao contexto político da democracia moderna, podemos então reivindicar aos representantes eleitos “dai ao povo o que é do povo e a Deus o que é de Deus”. Assim demandamos uma seriedade nos gastos governamentais e na ética política. O correto não é reter os impostos, mas crescer na consciência de que o dinheiro é nosso e na criação de mecanismos por meio dos quais possamos controlar melhor como o mesmo é gasto e quem o gasta. Esse último item decidimos com o voto.

Escolham pessoas de boa reputação, cheias do Espírito e de sabedoria

Um painel de executivos que realiza entrevistas para preencher um cargo da diretoria de uma empresa, normalmente traça o perfil da pessoa ideal para ocupar a posição. Nós também precisamos identificar o perfil da pessoa em quem desejamos votar para depois verificar se algum candidato corresponde ao mesmo. Em Atos 6.1-6 encontramos uma situação análoga a uma escolha democrática de representantes. Este momento na vida da igreja nos oferece um bom perfil do caráter que devemos procurar em nossos representantes. Os apóstolos recomendavam naquela oportunidade que a comunidade escolhesse gestores do cofre social de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria. Algo que não é explicitado no texto, exceto no caso de Nicolau “prosélito de Antioquia”, é que além dos representantes escolhidos terem o perfil acima, faziam parte do grupo que havia sido socialmente excluído: Os gregos. Não estaremos errados se começarmos por aí na escolha dos nossos representantes políticos. Porém com discernimento, pois nem todo irmão que se candidata tem o perfil desejado. Por outro lado, é possível algum candidato não crente cumprir os requisitos, menos o de ser cheio do Espírito, e tornar-se a melhor escolha. Não esqueçamos que em algumas épocas bíblicas o próprio Deus escolheu aquele que não foi do seu povo para abençoar, ou punir, o seu povo no papel de governante (Ciro, em Esdras 1, e Artaxerxes, em Neemias 2). Elejamos, então, pessoas de boa reputação, de sabedoria, que entendam os excluídos e, quando for possível, cheias do Espírito Santo.

Reconhecemos que, diante do controle quase total da mídia por grupos com interesses políticos declarados ou ocultos, torna-se difícil realizar uma avaliação esclarecida dos candidatos. Difícil sim, mas não impossível. Existem pelo menos dois mecanismos para esclarecer um pouco a escolha do eleitor. O primeiro já está pronto e requer pouco esforço, apenas boa vontade e acesso a internet. Caso você não tenha este acesso em casa, vale a pena incomodar o vizinho ou gastar um pouco de dinheiro em uma lan house para acessar o site www.excelencias.org.br

Neste site você encontra todo o histórico político e criminal de pessoas que servem como representantes eleitos do povo. Basta buscar pelo nome da pessoa ou clicar no mapa para buscar informações. Dá para montar a sua própria relação de candidatos com ficha limpa.

Procure conhecer os candidatos e as propostas

A segunda ideia demanda mais esforço, pois envolve mobilizar e organizar a igreja para promover um debate entre candidatos na sua cidade ou distrito. Não estamos falando em trazer pessoas amigas da igreja ou do pastor para se promoverem diante do povo como as pessoas certas para resolver os problemas. Tampouco se propõe o tipo de debate que presenciamos na mídia, que serve para os candidatos se limarem ou eliminarem. Estamos falando em convidar cada partido a enviar um representante para responder a perguntas feitas pelo público presente e para expor as propostas do partido. Desta forma o público tem a oportunidade de avaliar com inteligência alguns candidatos em particular, e o partido em geral. Por não ser uma manifestação a favor deste ou daquele candidato, é perfeitamente legítimo realizar tal debate dentro da igreja. Este ato pode sinalizar a importância que damos, diante de Deus, de exercermos a nossa responsabilidade política. O próprio pastor talvez seja uma pessoa competente para presidir o debate. Ao mesmo tempo, pode ser que entre os membros da sua igreja não exista esta abertura, então que seja usado um ambiente neutro para este debate. Nas oportunidades em que pude organizar debates desta natureza, foram realizadas oficinas anteriormente, presididas por líderes de boa reputação da igreja, para discutir temas sócio-políticos e para preparar as perguntas para os candidatos. No debate há a necessidade de limitar o tempo das respostas e de um mediador para gerenciar os ânimos dos candidatos. Preparando um evento desta natureza com bastante antecedência e com boa comunicação com a sede de cada partido é possível providenciar uma contribuição ímpar para o processo de escolha dos nossos servidores.

Retornando a Paulo, escrevendo em Romanos, lembramos que aquele que teme a autoridade faz bem, e quem opõe-se à autoridade resiste à ordenação de Deus (Romanos 13.2-3). Nosso desejo então é que nessa democracia os servidores públicos não se oponham a Deus, aprendendo a temer a autoridade a quem eles servem: O povo. Ao mesmo tempo, cada pessoa precisa compreender que é ministro de Deus para o bem dos outros e deve assim agir, no voto e na vida.

 

Última atualização em Qui, 01 de Julho de 2010 16:12
 
 
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