Esboços de sermões sobre ação social PDF  | Imprimir |  E-mail
Escrito por Administrator   
Ter, 23 de Março de 2010 14:55

 Aplicando-se às boas obras na proclamaçao da Palavra

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Procure aplicar-se às boas obras

A divisa da Convenção Batista Brasileira para este ano de 2010 encontra-se na carta de Paulo a Tito, capítulo 3, e versículo 8: 

Fiel é esta palavra, e quero que a proclames com firmeza para que os que crêem em Deus procurem aplicar-se às boas obras. Essas coisas são boas e proveitosas aos homens. 

Através do tema para 2010 entendemos que a ênfase no ano convencional cai na boa obra de evangelização: O aperfeiçoamento dos santos na obra da evangelização. 

De fato, nesta reflexão estaremos pensando de uma maneira mais ampla sobre o conceito de boas obras no Novo Testamento, e não nos deteremos especificamente na questão de evangelização. Mas é bom registrar, neste início, o vínculo muito profundo que existe entre o “fazer conhecidas as boas novas” (evangelização) e prática de “todo tipo de boas obras” que estaremos considerando em seguida. 

No pensamento de Jesus, ecoado por Pedro, boas obras praticadas por discípulos de Jesus resultam em pessoas dando glória a Deus (Mateus 5.16; 1 Pedro 2.12). Praticar boas obras assim é claramente um ato evangelístico – um ato que revela Deus às pessoas. Ao mesmo tempo, Paulo entende que, através de salvação pela graça, Deus cria o ser humano em Jesus com o propósito de praticar as boas obras que Ele já havia planejado (Efésios 2.8-10). Nisso vemos que um ato evangelístico resulta em boas obras. Estamos assim, no Novo Testamento, diante de um ciclo constante, ou de uma reação em cadeia: boas obras > boas novas > boas obras > boas novas > boas obras > ad infinitum. Boas obras e evangelismo são as pérolas do colar da noiva: quando uma das pérolas cai, a noiva perde a sua beleza. 

Mas agora vamos nos deter mais sobre o que realmente significava “boas obras” para os primeiros discípulos de Jesus, pois estas obras claramente foram bastante significantes para eles: somente nas cartas pastorais, às quais pertence a carta a Tito, Paulo as menciona quatorze vezes [Stott]. A frase traduzida “Boas Obras” – kala erga - pertence a uma família de verbetes que aparecem em português também com outros significados, como: obras santas, obras justas, algo bem feito, fazer o bem, entre outros. Todos podem ser vinculados ao conceito de fazer bem; kala erga são bons feitos, coisas feitas que tenham bons efeitos.

Lendo algumas passagens que utilizam essa família de palavras descobrimos quais atos os autores consideravam boas obras: Na carta a Tito o conceito inclui ensinar de uma maneira série e sincera, usar palavras sadias e irrepreensíveis (2.7-8), respeito aos governantes, obediência, não falar mal de ninguém, ser pacifico, bondoso e cortês (3.1-2).  Na sua primeira carta a Timóteo, Paulo considera a supervisão de irmãos uma excelente obra (3.1), como também considera como boas obras - criar filhos, praticar hospitalidade, lavar os pés dos irmãos, socorrer os necessitados (5.10). Para os ricos Paulo recomenda a boa obra da generosidade, no repartir com os outros (6.18). A cura milagrosa do paralítico por Pedro e João em Atos foi uma boa obra (2.9), como também Jesus, surpreendentemente, considerou o ungir dos seus pés pela mulher em Betânia (Mateus 26.10).

Existem certas passagens que são comentários sobre as boas obras que Deus espera do seu povo. Mateus capítulos 5 a 7, o chamado sermão no monte, talvez seja a mais rica de todos. Temos Gálatas 5 que contrasta as obras da carne com o fruto do Espírito; e Romanos 12, que vincula boas ações com as funções que cada um pode cumprir dentro e fora na comunidade de fé. 

A carta de Tiago expõe como o cristão de boas obras deve agir. Encorajando atos de misericórdia (2.14-17), condenando o preconceito de uma classe social contra a outra (2.1-9) e a exploração de trabalhadores por patrões carrascos (5.1-4). Tiago estava escrevendo a crentes, portanto devemos examinar as nossas práticas empregatícias, e das nossas igrejas, para certificarmo-nos de que não estamos agindo com irresponsabilidade social. Estas são as boas obras às quais Paulo exorta os irmãos a aplicarem-se. Em termos modernos, poderíamos dizer que ele está chamando os discípulos de Jesus a agirem com responsabilidade social em todas as áreas da vida: no âmbito dos relacionamentos pessoais, familiares; na comunidade; em relação ao governo (a esfera política) e nas relações internas das igrejas. Temos que ser socialmente responsáveis, para que a sociedade veja a nossa responsabilidade e dê glória ao Pai que está no céu. 

Filemom segue imediatamente as cartas pastorais. O pedido de Paulo em relação a Onésimo exige uma boa obra socialmente transformadora por parte do Filemom: receber um escravo, criminoso reformado, na sua casa como um colega, um igual. Não precisamos exercer a nossa imaginação histórica para tentar entender isso. Basta refletir na maneira em que a classe operária ou residentes da periferia são tratados hoje por pessoas que se consideram pessoas de bem (ou de bens). Até na nossa Ação Social Cristão tendemos a considerar certas pessoas como superiores, capazes de ajudar os inferiores, miseráveis sofredores. A atitude que Paulo requer de Filemom profetiza contra esse tipo de Ação Social, ao demandar que Onésimo seja tratado como “irmão caríssimo” (16).  

Ao mesmo tempo, Paulo demanda uma atitude transformadora por parte de Onésimo. Não é fácil para alguém, desvalorizado pelos poderosos, consentir ser parceiro na construcão de um novo relacionamento social exatamente com a classe que o havia explorado. Essa é a atitude que Paulo esperava do Onésimo. A formação de uma sociedade justa, não depende apenas das boas obras e atitudes dos abastados, depende das boas obras e atitudes dos explorados. Temos que transformar a nossa maneira de conceber a Ação Social como aquilo que os ricos fazem a favor dos pobres, percebendo que a cooperação de todos é indispensável a fim de termos uma sociedade saudável para todos. 

Paulo exorta aos que crêem em Deus, que procurem aplicar-se às boas obras. É um chamado a responsabilidade social: nos relacionamentos familiares e profissionais, em nossas igrejas e na nossa prática de Ação Social. São obras que evangelizam, um evangelismo que resulte em boas obras. Uma perfeição na evangelização, trazendo os valores das boas novas a todas as áreas da vida.  Acima de tudo é um chamado a viver vidas que revelem a glória de Deus; 

Fiel é esta palavra, e quero que a proclames com firmeza para que os que crêem em Deus procurem aplicar-se às boas obras. Essas coisas são boas e proveitosas. 

Mark Greenwood, Abril 2010

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Última atualização em Seg, 24 de Novembro de 2014 10:26
 
 
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