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O DESAFIO DA ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL NA PÓS-MODERNIDADE (parte 4)
Por Denize Alcaide
2. O Desafio do baixo nível intelectual dos alunos Como alguém que não sabe ler ou escrever, irá questionar uma pregação como sendo antibíblica? Como irá perceber que a verdade da Palavra de Deus está sendo usada com a finalidade de explorar sua fé? Mesmo aqueles que conseguiram chegar a uma formação secundária em nosso país, muitas vezes não têm uma formação adequada que permita aprofundar seus debates teológicos além do nível superficial, tornando-os uma espécie de reféns de qualquer tipo de ensinamento transmitido. Quando o jornalista britânico Robert Raikes iniciou a Escola Dominical em 1780, seu objetivo primordial era de oferecer um ensino gratuito às crianças pobres. Já a Escola Bíblica Dominical atual é um reflexo do modelo americano em que o conhecimento bíblico tem ênfase no crescimento e na edificação espiritual em todas as faixas etárias. O ponto é, diante do quadro brasileiro em que o ensino sugerido é totalmente alienador, verificamos um empasse dualista, em que hora a Escola Bíblica Dominical pode ser um canal para reforçar os desmandos de certos pastores que em nome de Deus envolvem emocionalmente seu público, hora estamos diante do anti-intelectualismo que permeia a cultura de um modo geral.
Chegamos à conclusão até aqui, que duas vertentes anticristãs estão causando estragos nas igrejas ditas evangélicas: As igrejas que assumiram os princípios da pós-modernidade, e as que ainda não chegaram nem mesmo na Modernidade. Vivem em uma espécie de cristianismo, que a autoridade eclesiástica está acima da autoridade escriturística. Supervalorizando a figura do líder como uma espécie de “super-homem de Deus”. Ė ele quem determina as normas de conduta, com base na sua palavra pessoal e inquestionável, uma espécie de protótipo da liderança espiritual da Idade Média. Mas por que no Brasil ainda se observa este tipo de mentalidade? Paulo Freire vai fazer uma abordagem crítica do quadro social brasileiro em seu livro Pedagogia da Autonomia, mostrando a miséria humana e a exclusão social brasileira.
Portanto, dois tipos de analfabetismos derivam deste quadro: o analfabeto total, ou seja, aquela pessoa que nem mesmo teve a oportunidade de pegar em um lápis na vida; e o analfabeto funcional, aquela pessoa que sabe ler, mas não compreende o que está sendo lido. Os sociólogos alegam que o grande número de excluídos dentro das igrejas evangélicas se deve ao fato do sentimento de amparado por ela auferido; pela esperança futura que o cristianismo dá ao falar das recompensas da vida por vir e do sofrimento que cessará, por exemplo. Além disso, seu ingresso na igreja seria por receberem alguns benefícios imediatos através de programas sociais. Desta forma algumas lideranças abusam da inocência e despreparo dessas pessoas, manipulando-as para o fim que desejam, revelando um caráter corrompido, abominável e hipócrita da autoridade que dizem possuir. |